terça-feira, 30 de outubro de 2012

DICAS | Primavera Árabe e as redes sociais

Facebook, Twitter e YouTube no lugar de cartas mimeografadas, panfletos e alto-falantes. As redes sociais desempenharam um papel considerável nos recentes movimentos contra a ditadura nos países árabes. A propagação do movimento conhecido como Primavera Árabe, que começou em 2010 na Tunísia, para todo o Norte da África e Oriente Médio não teria sido a mesma sem os recursos proporcionados pela internet. 

O papel das mídias sociais pode ter sido superestimado, mesmo que as ferramentas tenham sido importantes para dinamizar a derrubada de governos autoritários e ditaduras no mundo árabe.

Quando os ditadores foram derrubados, foi criado um vácuo de poder que pode ser assumido por religiosos conservadores encabeçados pela Irmandade Muçulmana, até então reprimidos por militares ligados aos regimes ditatoriais.

Apesar de ter sido a principal protagonista da Primavera Árabe, a juventude oriental não se organizou para ter um candidato. Os jovens provocaram uma mudança rápida. Eles queriam a queda do ditador, o que já era um passo muito importante. Só depois se discutiria quem deveria assumir o poder, mas essa não é uma questão simples. Os países árabes não são acostumados com o processo democrático como os ocidentais. A Irmandade Muçulmana pode assumir o poder no lugar dos militares, o que seria um retrocesso. Isso representa um retorno à perseguição às mulheres e a outras religiões, por exemplo.

Revolução na web

Durante os protestos do mundo árabe, as redes sociais foram amplamente utilizadas para que muitos países ocidentais fossem informados sobre o que acontecia nos países. A hashtag do microblog Twitter #Egypt (Egito em inglês) foi a mais utilizada em 2011. Só nos três primeiros meses da revolução egípcia, o termo foi citado 1,4 milhão de vezes. Outros termos bastante utilizados no Twitter foram #protest (protesto), #Yemen (Iémen), #arabspring (Primavera Árabe), #ghaddafi (ex-líder líbio Muammar Kadafi) e #libya (Líbia). 

Saiba mais

O uso da internet em mobilizações sociais ganhou visibilidade durante protestos no mundo árabe entre 2010 e 2012, conhecidos como Primavera Árabe.

A Primavera Árabe é uma onda revolucionária de manifestações e protestos que vêm ocorrendo no Oriente Médio e no Norte da África desde 18 de dezembro de 2010.

Os protestos se baseiam em campanhas, greves, manifestações, passeatas e comícios, organizados principalmente nas mídias sociais, como Facebook, Twitter e Youtube.

A Primavera Árabe começou em dezembro de 2010 quando um jovem tunisiano ateou fogo ao próprio corpo como forma de manifestação contra as condições de vida o país onde morava.

Protestos se espalharam pela Tunísia, levando o presidente Zine el-Abdine Ben Ali a fugir para a Arábia Saudita dez dias depois de o jovem ter dado início à manifestação. Ben Ali estava no poder desde 1987.

Em 2006, no Chile, estudantes protagonizaram o que ficou conhecido como Revolução dos Pinguins (referência ao uniforme dos estudantes). Eles ocuparam escolas reivindicando educação pública, gratuita e de qualidade.

Estudo feito este ano pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) mostrou que a maioria das manifestações públicas lideradas por jovens na última década têm relação com a internet