sábado, 6 de outubro de 2012

ATUALIDADES | Parlamento autoriza Turquia a fazer operações militares na Síria

O Parlamento da Turquia autorizou nesta quinta-feira o Exército do país a fazer operações militares contra a Síria durante o prazo de um ano, em represália ao bombardeio em uma cidade fronteiriça na quarta (2).

A decisão foi aprovada com 320 votos a favor e 129 contra, sendo a maioria dos votos favoráveis do governista Justiça e Desenvolvimento (AKP, sigla em turco).


Mulheres com véus roxos, em sinal de luto, participam de velório de vítimas de bombardeio sírio na Turquia.


O pedido foi feito pelo governo do primeiro ministro Recep Tayyip Erdogan com a justificativa de que o ataque é uma séria ameaça à segurança nacional.

Após a votação, o vice-primeiro-ministro turco, Besir Atalay, descartou que a autorização do Parlamento seja uma declaração de guerra, pois ainda falta o Executivo definir se usará ou não o envio de tropas.

Ele disse que a prioridade do país é definir com instituições internacionais a resposta ao ataque à cidade de Akçakale, que deixou cinco civis turcos mortos e outros dez feridos, na quarta-feira (3). A Turquia é membro da Otan.

Durante a madrugada e a manhã desta quinta, o Exército turco fez bombardeios a bases militares na fronteira síria, matando diversos soldados leais ao ditador Bashar Assad. Ainda não há estimativas de número de mortos nas instalações sírias.

DESCULPAS

Atalay disse que recebeu um pedido de desculpas das autoridades sírias, que, segundo ele, assumiram a responsabilidade pelo incidente na fronteira. O regime de Bashar Assad ainda não fez nenhum comunicado oficial sobre o tema.

Mais cedo, o chanceler da Rússia, Sergei Lavrov afirmou que pediu ao governo sírio que confirme oficialmente o ataque à cidade turca como um acidente. "Eles [os sírios] garantiram que o ocorrido foi uma trágica fatalidade e tomarão todas as medidas para que isso não se repita".

Ele ainda pediu que as autoridades dos dois países mantenham um contato direto para discutir a situação dos refugiados e os confrontos da fronteira. Lavrov ainda reconheceu que o conflito sírio "começou a cruzar as fronteiras do país".


Rebeldes sírios preparam lançador de foguetes em ação na fronteira com a Turquia, nesta quinta





Inicialmente, o regime sírio foi apontado pelos turcos como o principal responsável ao ataque a Akçakale. A ação não foi reivindicada oficialmente nem pelo governo de Assad nem pelos rebeldes.

Ainda na quarta (3), o embaixador de Ancara nas ONU, Ertugrul Apakan, pediu ao Conselho de Segurança que adote as "medidas necessárias" para deter "este ato de agressão por parte da Síria contra a Turquia".

O episódio de quarta-feira não foi um evento isolado. Na sexta-feira passada, outra bomba danificou prédios residenciais e comerciais, também em Akçakale.

Em junho, a defesa antiaérea síria derrubou um avião de combate turco, levando a Turquia a reforçar seu dispositivo militar na fronteira.

A duração dessa guerra civil já havia desgastado as relações habitualmente amigáveis entre os dois países. Após ataques do regime de Bashar Assad à população civil, o governo turco se uniu aos críticos do regime sírio.

O país também abriga mais de 90 mil refugiados do país vizinho, mas teme muitos mais atravessem a fronteira, sem uma solução para o confronto sírio no curto prazo.